CAPÍTULO 22
Raquel, Ângela e o Autor
UMA PAUSA ...
“Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retrato, quando sinto cheiros, quando
escuto uma voz, quando me lembro do passado, eu
sinto saudades. Sinto saudades de amigos que nunca
mais vi, de pessoas com que não mais falei ou
cruzei. Sinto saudades dos que se foram e de quem
não me despedi direito. Daqueles que não tiveram
como me dizer adeus; sinto saudades das coisas que
vivi e das que deixei passar, sem curtir” (...)
Clarice Lispector
A gente pensa que as tragédias só acontecem com os outros. Ledo engano... Na verdade, todos nós estamos vulneráveis a tais acontecimentos. Sempre superava e vencia as pedras e precipícios que surgiam no meu caminho. Infelizmente o golpe foi grande! Devolvemos, Kakito, nosso filho, a Deus – nos restaram a fé e a esperança nos designíos divinos. Mas, quando o fato extrapola a capacidade de controle e abruptamente tira parte incomensurável e insubstituível de nossa vida, a gente se sente igual a Moises perdido no deserto. Nessa caminhada vivi dias longos e escuros, às vezes sem saber aonde ir. Foi aí que entrou em ação a permanente instituição “Sagrada Família”, sem ela, o caminhar seria muito mais difícil. Como disse alguém alhures: “A vida não é só um mar de rosas”. O tempo mudou de repente e levou meu barco para mares revoltos, cobertos por nuvens escuras. É preciso ter muita fé para compreender, aceitar e, sobretudo, administrar as provações. Ainda hoje, tento fazer as pazes com a dor da eterna saudade.
O poeta inglês William Blake disse certa vez, “se as portas da percepção fossem limpas, tudo aparecia ao homem tal como realmente é: infinito”. É uma grande verdade. As portas nem sempre são limpas no decorrer de nossas vidas. A cada janela ou porta aberta sempre temos uma surpresa.
Em um de seus dizeres Samuel Johnson falou - “enquanto jovem, é preciso cultivar os amigos, pois com a idade vai ficando difícil renovar o plantel”. Como viram nas entrelinhas deste livro, fiz muitos amigos e amigas.
Nestas linhas, busquei registrar um pouco de minha vivência, da minha história, da história da minha família e dos meus amigos e amigas.
Me despeço com uns versos de Roberto e Erasmo Carlos:
“Detalhes de uma vida, histórias que contei aqui.
Sei tudo que o amor é capaz de me dar.
Eu sei... Já sofri, mas não deixo de amar...
Se chorei ou se sorri ...
O importante é que emoções eu vivi”.
E, assim sigo um Matuto Caminhante.