Blog do Carlos Trigueiro
Blog sobre Marketing & Turismo
quinta-feira, 20 de agosto de 2026
Nice na França - 2019
segunda-feira, 17 de agosto de 2026
As pesquisas eleitorais como instrumentos estratégicos de campanhas
As pesquisas eleitorais mostram ao eleitor quem está à frente ou atrás em uma disputa. Elas são o retrato de um momento específico da campanha, isto é, um frame de uma eleição que se comporta como um filme.
Além de auxiliar a população na tomada de decisão, as pesquisas orientam os estrategistas de campanha. Elas mensuram os temas mais relevantes da eleição, o desempenho do candidato junto ao eleitorado e o clima da campanha. Para terem valor estatístico, devem ser realizadas de forma repetida, com os mesmos parâmetros inferenciais.
Por isso, pesquisas isoladas pouco ajudam. O erro mais comum é olhar um único resultado e tirar conclusões precipitadas, como afirmar que determinado candidato vencerá com facilidade. Isso só seria verdadeiro se a eleição ocorresse no dia da pesquisa. Campanha é movimento: quem observa apenas o retrato ignora a dinâmica do filme.
Uma pesquisa é uma fotografia do momento. Duas pesquisas, com a mesma metodologia e amostragem, permitem observar um movimento. Três pesquisas já indicam uma tendência. É ela que importa, pois revela crescimento, estagnação ou queda e orienta as estratégias da campanha.
Há vários tipos de pesquisas eleitorais, com destaque para as quantitativas e as qualitativas. As quantitativas indicam a posição dos candidatos — quem está à frente ou atrás. Já as qualitativas avaliam o humor do eleitorado, identificando o que as pessoas pensam e quais opiniões têm sobre os principais assuntos do dia a dia.
Uma campanha eleitoral bem estruturada utiliza esses dois tipos de pesquisa de forma sistemática, especialmente nos últimos 45 dias antes da eleição.
Algumas pesquisas são contratadas por veículos tradicionais, como emissoras de televisão e jornais de grande circulação. Partidos políticos também contratam levantamentos para uso interno. Hoje, no Brasil, a maior parte das pesquisas eleitorais não é divulgada: são estudos de consumo interno.
Por fim, “Pesquisa não é o Waze. É um aplicativo que indica o caminho, mas não dirige o veículo”.
sábado, 8 de agosto de 2026
A Imaginação de Marketing
A seguir, são apresentados os principais pontos e insights enfocados por ele nesse extraordinário artigo. A principal contribuição de Levitt é mostrar que o marketing não se limita à venda ou à promoção: ele começa na capacidade de imaginar o cliente, interpretar suas necessidades e transformar essa compreensão em diferenciação competitiva. Essa perspectiva ajuda a explicar por que empresas bem-sucedidas alinham estratégia, valor e mercado antes de decidir o que produzir ou oferecer.
“Nada impede mais o progresso do que a falta de imaginação. As ideias podem ser desejadas, e a imaginação é o seu motor. A imaginação gera a ideia e, depois, para ser eficaz, precisa convertê-la em resultados. A imaginação de marketing é o ponto de partida do êxito em marketing.”
“Na fábrica, fazemos cosméticos; na loja, vendemos esperanças. Diferenciar eficazmente uma oferta implica saber, de fato, o que impulsiona e atrai os clientes. Implica compreender como os clientes diferem uns dos outros e como essas diferenças podem ser reunidas em segmentos comercialmente significativos.”
“A descoberta da simplicidade das coisas é a essência da imaginação de marketing. Imaginação significa construir mentalmente o quadro do que existe e do que deveria existir, inclusive daquilo que nunca foi realmente experimentado. Exercer a imaginação é ser criativo; requer inventividade intelectual ou artística.”
“O objetivo do marketing é obter e manter clientes, além de fazer com que os compradores atuais prefiram negociar com a empresa, e não com seus concorrentes. Em marketing, portanto, a imaginação deve enfocar constantemente esse objetivo. A essência da concorrência é a diferenciação: proporcionar algo diferente e fazê-lo melhor do que o concorrente.”
“O propósito da empresa é obter e manter clientes. Sem clientes, não há magia de engenharia, talento financeiro ou perícia operacional que possa manter a empresa viva. A história de todas as empresas de sucesso é uma história de propósitos certos, na ocasião certa, executados com os meios adequados às suas situações.”
“O desafio é combinar competitividade de preços com competitividade nos demais setores. Em suma, trata-se de proporcionar o valor mais competitivo. A diferenciação competitiva é mais eficaz e duradoura do que apenas a produção de baixo custo, e o marketing deve estar instalado no centro do planejamento estratégico corporativo.”
“A diferença entre dados e informações é que, enquanto os dados são coletados como fatos brutos, as informações representam a organização seletiva e a interpretação imaginativa desses fatos. É equivocado dizer que o ato mais importante e criativamente desafiador da decisão empresarial é a escolha do que será feito; o trabalho mais importante e desafiador envolve pensar nas possibilidades entre as quais as escolhas serão feitas.”
“O planejamento estratégico envolve definir o que deve ser feito. Ele está inevitavelmente enraizado em questões de marketing, na necessidade de responder às realidades que constituem requisitos intransigentes do mercado. As pessoas não farão, de boa vontade nem entusiasticamente, aquilo que não lhes parece sensato ou adequado; com certeza, não farão o que não é compreensível.”
“Para ter sucesso, uma estratégia também precisa ser simples, clara e expressa em poucas linhas. O marketing é determinante nos resultados empresariais. A razão é que ele lida com as fontes e os níveis de receita que ajudam a determinar o destino da empresa. O bom trabalho em busca dos objetivos errados é mais nocivo do que o mau trabalho em busca dos objetivos certos.”
Pense nisso!
quinta-feira, 30 de julho de 2026
Como manter e conquistar territórios eleitorais
Neste artigo, apresentamos como o Núcleo Central de uma Campanha (NCC) deve atuar para conquistar novos votos e preservar os apoios já existentes em favor de seu candidato. À primeira vista, essa tarefa natural, mas não é. O amadorismo de outras campanhas ficou para trás, quem não contar uma equipe formada voluntários engajados e profissionais qualificados, trabalhando de forma integrados e sob uma coordenação geral, estará sujeito a perder a eleição.
O primeiro passo é montar, caso ainda não exista, esse Núcleo qualificado, formado por pessoas comprometidas e dispostas a vestir a camisa do candidato. O voluntário é aquela pessoa motivada não apenas a ajudar o candidato, mas a cumprir uma missão para elegê-lo. Já o profissional é aquele que tem o compromisso e o dever de não só cumprir a missão, mas, sobretudo, executá-la e, em muitos casos, falar o que o Núcleo não gostaria de ouvir. O coordenador é o executivo do Núcleo e pessoa de alta confiança do candidato.
Constituído esse Núcleo, começam o planejamento e a execução das estratégias de campanha. Uma das principais estratégias para a campanha, atualmente, é aplicar e analisar cuidadosamente pesquisas quantitativas e qualitativas para uso interno do Núcleo, assim como monitorar segmentos demográficos específicos de determinadas microrregiões.
As pesquisas quantitativas buscam medir oscilações das intenções de voto e tendências históricas, passadas e futuras. Elas mostram a foto do momento. Deve-se também utilizar pesquisas contratadas por terceiros nessas análises. As pesquisas qualitativas buscam identificar fatos, emoções e desejos dos eleitores atuais e potenciais no dia a dia, é o filme. O objetivo é ouvir para que o candidato diga o que os eleitores querem ouvir. É consenso que o voto é uma decisão emocional. Assim, o candidato precisa falar na mesma frequência do eleitor, sem viés de comunicação.
Algumas ideias para segmentação demográfica poderão servir para a elaboração de estratégias eleitorais bem-sucedidas. Pode-se trabalhar com faixas etárias dos grupos de eleitores, por exemplo: jovens de 16 a 24 anos, que estão mais participativos politicamente; grupos de 25 a 45 anos, contingente bastante significativo politicamente; eleitores de 46 a 60 anos, que pertencem à geração dos períodos marcantes; faixa entre 60 e 75 anos, que têm histórias e experiências para contar; e maiores de 76 anos, que estão dispensados de votar por lei, mas podem fazer diferença em uma eleição.
Quanto às estratégias políticas oriundas das pesquisas quantitativas e qualitativas, discorreremos em próximos artigos. Até lá...
domingo, 26 de julho de 2026
Londres 2026
Em nossa última viagem ao exterior, em maio de 2026, Londres surgiu como uma breve e encantadora pausa no caminho. Foram apenas 24 horas na capital inglesa, uma espécie de respiro entre voos, antes de seguirmos rumo à Islândia, país nórdico que se aproxima, majestoso e gelado, das paisagens do Polo Norte.
Revisitar a Inglaterra — e, em especial, reencontrar Londres — é sempre um prazer que permanece na memória. Como o tempo era curto, escolhemos retornar a dois lugares que guardam, cada um à sua maneira, um pouco da alma da cidade: o Hyde Park, em cujos arredores nos hospedamos, e o Palácio de Kensington, marcado pela lembrança delicada da Princesa Diana.
domingo, 19 de julho de 2026
Dados e emoção redefinem as campanhas eleitorais
Uso de insights e tracking amplia a precisão das estratégias políticas em um cenário marcado por tecnologia, redes sociais e disputa pela atenção do eleitor.
O título deste artigo combina duas expressões em inglês e uma palavra em português. A escolha não é casual: ela antecipa uma discussão cada vez mais presente nas campanhas eleitorais contemporâneas, marcadas pelo uso de dados, tecnologia e estratégias de comunicação direcionadas.
As eleições de outubro deste ano, realizadas em dois turnos, apresentam características distintas em relação a pleitos anteriores. A disputa envolve cargos de presidente, senador, governador, deputado federal e deputado estadual. Paralelamente, há também movimentações políticas em torno de futuras indicações para ministérios, estatais, agências reguladoras e demais estruturas da administração pública.
Nesse contexto, dois conceitos ganham relevância: insights e tracking. Os insights são percepções capazes de identificar fatores emocionais e sensoriais que influenciam a percepção, a memória e o julgamento de determinados públicos. Quando aplicados de forma estratégica, podem revelar oportunidades de comunicação e mobilização política. Já o tracking é uma técnica estatística usada para monitorar continuamente a evolução da campanha, avaliar estratégias em curso e fornecer subsídios para ajustes no planejamento eleitoral.
Com o avanço das novas tecnologias e a consolidação das redes sociais como instrumentos centrais de comunicação política, as campanhas passaram a exigir menos improviso e mais precisão. A tomada de decisão, especialmente nos núcleos estratégicos das candidaturas, depende cada vez mais de informação qualificada, leitura de cenário e rapidez de resposta.
A seguir, são apresentados alguns exemplos de como essas ferramentas podem orientar candidatos e coordenadores de campanhas eleitorais na definição de estratégias mais eficientes.
Entre as questões que devem orientar uma campanha estão a identificação dos municípios onde o candidato obteve melhor ou pior desempenho em eleições anteriores, a análise das razões para vitórias e derrotas, a manutenção de bases eleitorais já conquistadas e a recuperação de votos perdidos. Também é fundamental acompanhar a evolução da campanha em diferentes regiões, como capital, agreste e sertao, além de definir alianças políticas e ações voltadas a públicos específicos.
A compreensão teórica e prática dessas ferramentas ajuda a explicar sua importância no ambiente eleitoral atual.
Gilberto Musto, autor do livro Mapa do Voto 5, afirma: “Votar por emoção e, posteriormente, justificar pela razão é a ordem que faz o eleitor ter um comportamento tão dinâmico e interessante. Isso promove estudos contínuos desta jornada, que se inicia em uma fase de total desinteresse e vai até o momento em que ele se torna um multiplicador ou incentivador de uma candidatura”. A avaliação reforça a ideia de que o voto é influenciado por componentes emocionais. Para compreender esses fatores, campanhas recorrem a técnicas como grupos focais e pesquisas qualitativas, capazes de revelar percepções relevantes sobre a forma como o eleitor interpreta mensagens, propostas e narrativas políticas.
Ivan Ervolino, analista de dados e inteligência política, afirma: “A política mudou. O eleitor mudou. E quem insiste em campanhas longas e genéricas está jogando para perder. Vivemos um tempo de excesso de estímulos e decisões tomadas em segundos. Em meio a múltiplas tarefas e baixa tolerância a mensagens extensas, a campanha eleitoral tornou-se um jogo de precisão curto, intenso e sem margem de erros”. A análise aponta para a necessidade de decisões rápidas e baseadas em evidências. Nesse cenário, o tracking eleitoral se diferencia da pesquisa tradicional de intenção de voto por acompanhar, em alta frequência, a evolução das preferências dos eleitores ao longo da campanha. Enquanto a pesquisa quantitativa registra um retrato do momento, o tracking permite observar o movimento da disputa.
Em um ambiente eleitoral marcado por velocidade, segmentação e disputa permanente pela atenção do eleitor, o uso combinado de insights e tracking tende a ocupar papel cada vez mais relevante nas campanhas. A política, afinal, tornou-se também um campo de análise de dados, percepção pública e resposta estratégica.
