Uso de insights e tracking amplia a precisão das estratégias políticas em um cenário marcado por tecnologia, redes sociais e disputa pela atenção do eleitor.
O título deste artigo combina duas expressões em inglês e uma palavra em português. A escolha não é casual: ela antecipa uma discussão cada vez mais presente nas campanhas eleitorais contemporâneas, marcadas pelo uso de dados, tecnologia e estratégias de comunicação direcionadas.
As eleições de outubro deste ano, realizadas em dois turnos, apresentam características distintas em relação a pleitos anteriores. A disputa envolve cargos de presidente, senador, governador, deputado federal e deputado estadual. Paralelamente, há também movimentações políticas em torno de futuras indicações para ministérios, estatais, agências reguladoras e demais estruturas da administração pública.
Nesse contexto, dois conceitos ganham relevância: insights e tracking. Os insights são percepções capazes de identificar fatores emocionais e sensoriais que influenciam a percepção, a memória e o julgamento de determinados públicos. Quando aplicados de forma estratégica, podem revelar oportunidades de comunicação e mobilização política. Já o tracking é uma técnica estatística usada para monitorar continuamente a evolução da campanha, avaliar estratégias em curso e fornecer subsídios para ajustes no planejamento eleitoral.
Com o avanço das novas tecnologias e a consolidação das redes sociais como instrumentos centrais de comunicação política, as campanhas passaram a exigir menos improviso e mais precisão. A tomada de decisão, especialmente nos núcleos estratégicos das candidaturas, depende cada vez mais de informação qualificada, leitura de cenário e rapidez de resposta.
A seguir, são apresentados alguns exemplos de como essas ferramentas podem orientar candidatos e coordenadores de campanhas eleitorais na definição de estratégias mais eficientes.
Entre as questões que devem orientar uma campanha estão a identificação dos municípios onde o candidato obteve melhor ou pior desempenho em eleições anteriores, a análise das razões para vitórias e derrotas, a manutenção de bases eleitorais já conquistadas e a recuperação de votos perdidos. Também é fundamental acompanhar a evolução da campanha em diferentes regiões, como capital, Agreste e Sertão, além de definir alianças políticas e ações voltadas a públicos específicos.
A compreensão teórica e prática dessas ferramentas ajuda a explicar sua importância no ambiente eleitoral atual.
Gilberto Musto, autor do livro Mapa do Voto 5, afirma: “Votar por emoção e, posteriormente, justificar pela razão é a ordem que faz o eleitor ter um comportamento tão dinâmico e interessante. Isso promove estudos contínuos desta jornada, que se inicia em uma fase de total desinteresse e vai até o momento em que ele se torna um multiplicador ou incentivador de uma candidatura”. A avaliação reforça a ideia de que o voto é influenciado por componentes emocionais. Para compreender esses fatores, campanhas recorrem a técnicas como grupos focais e pesquisas qualitativas, capazes de revelar percepções relevantes sobre a forma como o eleitor interpreta mensagens, propostas e narrativas políticas.
Ivan Ervolino, analista de dados e inteligência política, afirma: “A política mudou. O eleitor mudou. E quem insiste em campanhas longas e genéricas está jogando para perder. Vivemos um tempo de excesso de estímulos e decisões tomadas em segundos. Em meio a múltiplas tarefas e baixa tolerância a mensagens extensas, a campanha eleitoral tornou-se um jogo de precisão curto, intenso e sem margem de erros”. A análise aponta para a necessidade de decisões rápidas e baseadas em evidências. Nesse cenário, o tracking eleitoral se diferencia da pesquisa tradicional de intenção de voto por acompanhar, em alta frequência, a evolução das preferências dos eleitores ao longo da campanha. Enquanto a pesquisa quantitativa registra um retrato do momento, o tracking permite observar o movimento da disputa.
Em um ambiente eleitoral marcado por velocidade, segmentação e disputa permanente pela atenção do eleitor, o uso combinado de insights e tracking tende a ocupar papel cada vez mais relevante nas campanhas. A política, afinal, tornou-se também um campo de análise de dados, percepção pública e resposta estratégica.







































