Nosso vínculo com as viagens começou cedo. Ainda na adolescência, ambos já experimentávamos deslocamentos que, à época, tinham muito de convivência familiar e descoberta. Eu, por exemplo, a partir dos 15 anos, passava as férias de meio de ano em Campina Grande, hospedado na casa do Sr. e da Sra. Napoleão Medeiros (Arminda), do Dr. e da Sra. Pedro Brito (Nereide) e do Sr. e da Sra. Aristides Hamad (Carmem). Mais tarde, também me hospedei várias vezes em Bananeiras, na casa do meu padrinho, o Sr. Sérgio Meira, e de sua esposa, Maria. Ângela, por sua vez, costumava ficar no Rio de Janeiro, na casa do tio, o Dr. Hélio Pessoa, e de sua esposa Lalá, ou na Fazenda Camaçari, de outro tio, o Sr. Edésio Pessoa, também acompanhado de sua esposa, Lourdes.
Depois de casados, mantivemos esse hábito de viajar, agora ampliado pela vida em comum e pelo prazer de compartilhar experiências. Íamos com frequência à praia de Gaibu e a Gravatá, hospedando-nos na residência do meu irmão, George Trigueiro, e de sua esposa, Ingrid. Também íamos a Patos, onde ficávamos na casa do meu irmão Fernando Trigueiro e de sua esposa, Yone. Outro destino de que gostávamos muito era a Fazenda Capuxu, pertencente ao meu irmão Alberto Trigueiro e à sua esposa, Socorro.
Aos poucos, as viagens deixaram de ser apenas ocasiões familiares e passaram a compor um projeto afetivo de casal.
As primeiras experiências internacionais também tiveram papel importante nessa formação. Ângela fez sua primeira viagem ao exterior quando ainda cursava o científico: por meio de um intercâmbio, viveu durante seis meses em Iowa, nos Estados Unidos. Eu, já universitário, fui a Assunção, no Paraguai, em uma viagem de compras. Embora distintas em propósito e contexto, essas experiências ajudaram a consolidar em nós o gosto pelo deslocamento, pelo contato com outras realidades e pela curiosidade diante do desconhecido.
Nossa primeira viagem ao exterior como casal foi ao lado dos amigos Roberto Paulo (in memoriam) e sua esposa, Eliane, em uma excursão chamada “Quatro Bandeiras”. Nosso roteiro no Brasil, passamos por São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Foz do Iguaçu. Em seguida, seguimos para o Paraguai, o Uruguai e a Argentina, retornando, ao final, ao Rio de Janeiro. Foi, curiosamente, a primeira e também a última vez que viajamos nesse tipo de excursão. A experiência não nos agradou — e talvez exatamente por isso tenha nos ensinado que preferimos a liberdade dos roteiros mais personalizados, construídos de acordo com nosso próprio ritmo.
Com o passar do tempo, especialmente depois de 25 anos de casamento, passamos a viajar sozinhos para o exterior e, em muitas ocasiões, tivemos a companhia de nossa filha Raquel. Foi nesse período que as perguntas de familiares e amigos se tornaram mais frequentes: como escolhemos nossos destinos? Como construímos cada viagem? E quantos países já conhecemos? Essas indagações, repetidas ao longo dos anos, acabaram dando origem à reflexão que estrutura este texto.
Comecemos pela curiosidade mais recorrente: quantos países já visitamos? A resposta, sempre dada com bom humor, é simples: só não conhecemos aqueles aonde ainda não fomos. Ao todo, já estivemos em mais de 80 países, alguns deles mais de uma vez. Há lugares aos quais voltaríamos sem hesitar; outros, embora importantes em nossa trajetória, talvez não revisitássemos. Viajar, afinal, também é aprender a reconhecer afinidades, encantos e limites.
Quanto à forma como escolhemos e organizamos cada viagem, o processo se dá em etapas. A primeira decisão é talvez a mais prazerosa: optar entre conhecer um destino ainda inédito ou retornar a um lugar que nos marcou. Em seguida, fazemos uma avaliação cuidadosa dos recursos financeiros disponíveis, sempre com responsabilidade e sem comprometer o equilíbrio futuro do casal.
Superada essa etapa, recorremos à VOEJAR (19 anos nossa parceria), agência de turismo dos amigos Sandro e Pollyana, que se tornou parceira essencial em nossas jornadas. É ali que o planejamento ganha contornos concretos, com a definição de destinos, datas, hospedagens, companhias aéreas, seguro-viagem, roteiros de "bate e volta", restaurantes regionais e demais detalhes que tornam a experiência mais segura e proveitosa.
Com essas informações em mãos, tem início a fase mais técnica da preparação. A VOEJAR, cujo papel consideramos decisivo para o êxito de cada experiência, apresenta alternativas de roteiro compatíveis com nossas preferências. Depois de conversas, ajustes e escolhas sucessivas, fechamos o destino e partimos para mais uma aventura. Se a viagem começa efetivamente no embarque, ela também começa muito antes: no desejo, no planejamento e na expectativa compartilhada.
Outra pergunta frequente diz respeito aos imprevistos: “Vocês nunca tiveram problemas nessas viagens?” Naturalmente, sim. Viajar também é lidar com o inesperado, com aquilo que escapa ao controle e nos obriga a desenvolver flexibilidade. Já enfrentamos terremoto no Chile, nevasca nos Estados Unidos, arremetidas de aeronaves antes do pouso, noites em aeroportos e longas esperas em recepções de hotéis por chegarmos antes do check-in. Ainda assim, graças a Deus, nunca tivemos necessidade de atendimento médico ou odontológico, muito menos de internação hospitalar. Até mesmo durante a pandemia de Covid-19, continuamos a viajar, tanto pelo Brasil quanto para o exterior, sempre atentos às circunstâncias de cada momento.
Afinal, como lembra a célebre frase atribuída a Santo Agostinho, “Quem não viaja jamais passa da primeira página de um livro”. No fim das contas, viajar sempre nos pareceu mais do que lazer. É uma forma de renovar a vida, fortalecer os vínculos familiares, ampliar horizontes e cultivar a alegria. Viajar reduz o estresse, favorece o bem-estar emocional e nos coloca em contato com o diferente — e, justamente por isso, também nos ajuda a compreender melhor a nós mesmos. Talvez seja essa a maior razão de continuarmos partindo: porque cada viagem, por menor que pareça, tem o poder de nos devolver ao mundo com um olhar renovado.
Por isso, sempre que possível, vale a pena atender ao chamado da estrada, do aeroporto, ferrovia, rodovia, do mar ou de qualquer horizonte ainda por descobrir.
Viajar é, em essência, uma maneira de celebrar a vida.

👍👍👍
ResponderExcluir👍👍👍isso mesmo
ResponderExcluirMuito legal o texto. 👏👏👏
ResponderExcluirParabéns ao casal!
ResponderExcluirMaravilha! Mércia Almeida.
ResponderExcluirO texto está maravilhoso. Muito bem! Viajar é muito bom. Sua experiência é muito boa. Inclusive desperta informações aos leitores. Parabéns e obrigado por dividir conosco..
ResponderExcluirRegina Lira.
Amei o relato. Parabéns a família por optar em desbravar o mundo juntos, criando memórias.
ResponderExcluirBoa
ResponderExcluirMuito bommmm
Napoleão Nápoles
Foi um prazer ler atentamente seu projeto de viagem por toda sua vida, desde os tempos de estudante secundário. Foi também muito oportuno ter encontrado em sua esposa o mesmo gosto de conhecer e curtir o mundo. Parabéns pela brilhante opção de de investir seus recursos financeiros em viagens maravilhosas, do que em investimentos imobiliários.
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