Fernando, meu irmão querido,
Hoje, 27 de agosto de 2026, celebramos o seu aniversário e a alegria imensa de vê-lo completar 80 anos de vida. No dia 19 de novembro deste mesmo ano, completarei 81 anos. A nossa diferença de idade sempre foi pequena no calendário, mas enorme foi a bênção de termos caminhado quase lado a lado pela vida. Como a vida é bonita, Fernando, quando a gente pode olhar para trás e encontrar um irmão em tantas lembranças!
Tivemos a felicidade de viver juntos, apesar dessa pequena diferença de idade, brincadeiras e brigas, alegrias e tristezas, farras e ressacas, festas em clubes e danças em cabarés, futebol no campo do Diocesano e no campo da CICA. Foram tempos de juventude, de descobertas, de coragem e de tanta vida pulsando em nós. Como foram bonitas, intensas e inesquecíveis as nossas histórias!
Se eu fosse contar aqui tudo o que vivemos, certamente daria um livro inteiro — talvez mais de um. Mas, para homenageá-lo neste dia tão especial, escolho resumir tantas memórias em uma única história, vivida conosco e com amigos, que ainda hoje me faz sorrir e sentir saudade daquele tempo.
“O Badionaldo fui palco de muitas histórias que ficaram guardadas na memória e no coração. Entre elas, está a que aconteceu comigo, com meu irmão Fernando e com nosso amigo Garibaldi Soares, que veio passar uma semana conosco. Estavam também na nossa mesa meus irmãos Osvaldo e George e os queridos amigos da família Smith.
Para não incomodar papai, Nômo e mamãe, ficávamos instalados no quarto fora do corpo da casa. Ali, não tínhamos hora para chegar nem para acordar; vivíamos uma liberdade bonita, dessas que a juventude transforma em paraíso.
Como Fernando havia passado no vestibular de Economia na Escola Francisco Mascarenhas, de Patos, tínhamos motivo de sobra para comemorar. Depois de uma partida de futebol de salão, resolvemos tomar um pileque daqueles que a juventude guarda para sempre na lembrança.
Com pouco dinheiro, sozinhos no bar, pedimos um litro de Montilla, uma Coca-Cola e uma porção de ensopado de caranguejo. Já estávamos alegres quando, de repente, parou ao nosso lado um Ford Galarei, placa bronze, GE-01. O motorista era a única pessoa no veículo e, só depois de alguns instantes, resolveu sair do carro.
Foi uma surpresa geral. Aquela figura magra, de paletó branco, camisa social sem gravata e chapéu Panamá na cabeça, olhou para nós e sentou-se à mesa ao lado. Era nada mais, nada menos, do que o governador João Agripino. Ele era freguês assíduo do Bar de Nega, que, àquela altura da noite, já estava fechado. Antes de qualquer coisa, perguntou-nos, com simplicidade, se poderia sentar em nossa companhia.
A resposta veio cheia de respeito: “Sim, Excelência...” Então, com um sorriso irônico, ele nos disse: “Excelência é no Palácio; aqui eu sou João Agripino. Solicitou algumas doses de rum puro, sem largar o cigarro. Em seguida, perguntou de onde éramos, quem eram os nossos pais e qual era o motivo daquela comemoração. Fernando respondeu, orgulhoso: “Eu passei no vestibular da Faculdade de Economia de Patos.” Logo em seguida, perguntou: “Na sua experiência, governador, qual contribuição a Escola de Economia de Patos pode dar à Paraíba?”
A resposta foi direta, seca e típica do seu modo de ser: “Meu jovem, não quero estragar a sua festa, mas lhe digo o seguinte: se a Federal de João Pessoa nada contribui, imagine a de Patos.”
Ele ainda demorou mais um pouco, terminou suas doses, chamou o garçom Agripino e perguntou quanto custava a sua despesa. Em seguida, tirou da carteira o valor correspondente, entregou-nos, agradeceu a companhia e se foi abandonando uma cena simples, mas impossível de esquecer.
Na hora, ficamos putos da vida, pois achávamos que ele ia pagar a nossa farra. Mas o homem era inteligente: sabia que, se pagasse, talvez não estivéssemos hoje narrando o seu gesto. A sua imagem perante o povo paraibano era a de um governador honesto, austero e trabalhador, alguém que sabia, com pequenos gestos construir a sua própria lenda.” Do meu livro Um Matuto Caminhante.
Finalizando estas palavras, queremos — eu, Ângela e Raquel — desejar-lhe muitas felicidades, saúde, paz e vida longa. Que Deus continue protegendo seus passos, iluminando seus dias e nos concedendo a alegria de comemorar, juntos, os seus próximos 90 anos.
Receba os nossos fortes e afetuosos abraços.

👏👏👏
ResponderExcluirParabéns pra Fernando que Deus abençoe a vida dele
ResponderExcluirQue coisa maravilhosa quase que n terminava de ler mas foi maravilhoso parabéns para seu Fernando felicidades
ResponderExcluir🙌🙌🙌
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