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domingo, 16 de outubro de 2016

Cine Boa Vista - Recife


Cine Boa Vista
Nos fins da década de 60 sai de Patos para estudar em Recife. Fiz o 2o. e 3o. anos do curso científico no Colégio Padre Felix, que ficava localizado na Avenida Conde da Boa Vista. Concluído o curso fiz vestibular e me graduei na Universidade Federal de Pernambuco (1972). 

Morava na esquina entre a Avenida Conde da Boa e a Rua Dom Bosco, num quitinete que foi apelidado de ¾, pois só tinha uma sala é um banheiro. Moravam também em outros quitinetes vizinhos, amigos de Patos. Constituíamos uma família patoense. Bons tempos! Ao final da Rua Dom Bosco com a Avenida Manoel Borba, ficava o cinema Boa Vista. 

O local era um dos mais frequentado da cidade, pois lá também ainda está localizada a Praça Chora Menina. Em frente ao Cine Boa Vista ficava a lanchonete do português, onde várias vezes tomei café da manha lá e, aproveitava para ler o Jornal do Commercio. Nas quintas-feiras, após o treino de futebol de salão que participava na quadra da CHESF, tomava banho e direto para o Boa Vista. 

O cinema tinha todas as características de uma sala de bairro. Todos se conheciam, desde os bilheteiros e porteiros até os expectadores. A entrada era mais barata do que os outros cinemas do centro como o São Luiz, O Moderno e o Art Palácio. Era, na verdade, o cinema dos universitários de moravam no entorno do bairro da Boa Vista. Lá assisti vários filmes de faroeste e chanchadas nacionais, além de filmes dramáticos e de romances. 

Boas lembranças e saudades!

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

A dimensão do estrago


Consultor Francisco Madia
Um macaco louco e drogado numa loja de cristais provoca menos estragos que um incompetente no poder. Foi isso, mais ou menos isso, que aconteceu com o Brasil nas gestões DVR, e no segundo mandato de LILS. Vocês sabem de quem estou falando. Por favor, me poupem do sacrífico e do constrangimento em ter que escrever o nome por inteiro desses irresponsáveis.

O desastrado no comando leva o navio para onde quiser. Muito especialmente se tem em seu séquito um time meia boca de oportunistas e igualmente incompetentes e desastrados. Muitos absolutamente amorais. E assim o navio Brasil foi jogado contra as ondas e a correnteza por pessoas que estupidamente acreditavam poder tudo. E deu no que deu.

No meio das intempéries e dos balanços uma empresa com mais de 60 anos de história, e referência em seu território de atuação.

“Fundada em 1952, pelo romeno José Nacht, a Mills começa a importar tubos e demais equipamentos tubulares da Echafaudages Tubulaires Mills. É o início da Mills, pioneira em andaimes tubulares e escoramento de aço no Brasil. Na época, os andaimes usados no país eram feitos em madeira, o que resultava em desmatamento e falta de segurança aos trabalhadores. No mesmo ano de sua fundação, a Mills fecha a sua primeira grande obra: a cúpula da Catedral da Sé, em São Paulo…”. Assim começa a história da Mills em seu portal na internet.

Corta agora para a revista Dinheiro de número 984, 14 de setembro de 2016, onde Cristian Nacht, presidente do conselho de administração da empresa fundada por seu pai, concede entrevista para Eduardo Valim: “Levamos meio século para chegar a um valor de mercado de R$ 150 milhões, e apenas oito meses para subir para R$ 3,5 bilhões.”

Desde o início a Mills pontificou pela sua competência em suprir as principais empreiteiras e construtoras do país com seus equipamentos. Era, e ainda é, uma referência no mercado imobiliário. Suas máquinas prestaram serviços em 10 dos 12 estádios da Copa.

Fornecedores fornecem. Se os fornecidos crescem e prosperam os fornecedores “surfam” na onda. Não deveria ser assim, deveriam ser mais cautelosos, mas a tentação é grande e resistir praticamente impossível. E como dizer-se não a um parceiro de sempre e de todas as horas? E assim a Mills mergulhou na “onda bolha de prosperidade” produzida a custa da irresponsabilidade fiscal e de um plano de tomada do poder.

Na matéria,  Cristian Nacht descreve aquele momento: “Era uma montanha russa que só subia e subia… até que chegou a hora da queda”.

Desde 2015, a família luta para salvar a empresa. Com o cancelamento ou suspensão das obras os equipamentos alugados pela Mills começaram a ser devolvidos. São mais de 6 mil máquinas pesando 120 mil toneladas que deixaram de produzir receitas, paradas, e gerando despesas. Segundo Tomas Nacht, filho de Cristian descreve os cenários que imaginaram: “Fazíamos análises com cenários bom, realista, ruim, péssimo e terrível. O resultado veio pior que a previsão terrível”.

A crise será superada. Com a contribuição de todos os cidadãos construiremos um NOVO BRASIL. Mas sério, profissional, consistente, responsável. E, seguramente, a Mills reencontrará seu melhor caminho. Ainda que para se salvar tenha tido que sacrificar, como diz Cristian, todas as gorduras, depois a carne, e talvez parte dos ossos. O time de 10 diretores foi reduzido a 5, vendeu sua unidade industrial, demitiu mais de 800 pessoas, e substituiu parte da equipe de executivos por profissionais com perfil mais adequado a chuvas, trovoadas, tempestades e vendavais.

A Mills é apenas uma. Uma de milhares. Que por não estar na linha de frente e por honrar os serviços e as parcerias com seus clientes mergulhou junto no abismo. E que agora, com coragem e generosidade, compartilha com todas as demais empresas sua trágica experiência. Cristian finaliza a entrevista, afirmando, “A crise serviu, pelo menos, para ser menos arrogante, e não achar que nasci para ser bem-sucedido”.

Que a lição sirva para todos nós. Que é insuficiente ser um país abençoado por Deus e bonito por natureza. Assim continuará se não formos capazes de transformar esse extraordinário ponto de partida e potencial, num país de verdade. Muito especialmente, se não tivermos discernimento e sensibilidade para confiá-lo a mãos hábeis, capazes e honestas.


segunda-feira, 3 de outubro de 2016

O que explica João Doria ir de 6% em julho à vitória no primeiro turno?

Em meados de julho, um mês antes do início da campanha eleitoral, João Doria tinha minguados 6% de intenções de voto em uma pesquisa do instituto Datafolha em São Paulo. Quatro adversários apareciam à frente dele, embora estivesse tecnicamente empatado, àquela altura, com o prefeito Fernando Haddad, candidato à reeleição pelo PT.

Numa campanha mais curta que em eleições anteriores, provavelmente nem o próprio candidato do PSDB fosse capaz de imaginar que, dois meses e meio depois, ele estaria comemorando o triunfo no primeiro turno para a Prefeitura da maior cidade do país. O que explica o crescimento que o levou aos 3.085.187 votos (53,29% do total) que lhe deram a surpreendente vitória em sua primeira disputa de uma eleição?

A arrancada de Doria se deu, praticamente, no último mês da campanha eleitoral. O candidato antes "desconhecido" do eleitorado, que surgiu com discurso falando em necessidade de "acelerar a cidade", "gastar sola de sapato", criticando o PT e repetindo o bordão "não sou político, sou gestor, sou empresário" (em uma eleição marcada pela rejeição à classe política), ganhou adesão de novos eleitores a cada semana de setembro, mostraram as pesquisas divulgadas ao longo do mês.

Um mês antes do início da campanha eleitoral, em 15 de julho, ele tinha 6% das intenções de voto, quando Celso Russomanno (PRB) tinha 25%, Marta Suplicy (PMDB) tinha 16%, Luiza Erundina (PSOL) tinha 10% e Fernando Haddad (PT) tinha 8%. Brancos, nulos, nenhum ou os que não sabiam em quem iriam votar eram, no total, 23%.
Em 26 de agosto, 38 dias antes do primeiro turno, em outra pesquisa do instituto Datafolha, Doria havia oscilado para baixo: 5%, num cenário em que Russomanno tinha larga vantagem sobre os adversários (31%), contra 16% de Marta, 10% de Erundina, 8% de Haddad. A soma de brancos, nulos, nenhum ou dos que não sabiam em quem iriam votar resultava em 24% dos eleitores da capital paulista.

Quando faltavam 24 dias para o primeiro turno, o Datafolha divulgou outra pesquisa: era o primeiro sinal do crescimento de Doria. O candidato tucano aparecia já com 16% das intenções de votos, tecnicamente empatado com Marta (dentro da margem de erro de três pontos), que aparecia com 21 (Russomanno tinha caído para 26% e Haddad aparecia em empate técnico com Erundina –respectivamente com 9% e 7%).

A pesquisa divulgada naquela sexta-feira, 9 de setembro, era a primeira do instituto a verificar as intenções de voto depois do início do horário eleitoral gratuito, que havia estreado exatamente duas semanas antes, em 26 de agosto. Dos concorrentes à Prefeitura de São Paulo, Doria foi o que contou com o maior tempo de divulgação no horário eleitoral. Dentro dos blocos diários de dez minutos levados ao ar às 13h e às 20h30, além das inserções de 30 ou 60 segundos que podiam ser exibidas das 5h à meia-noite, o tucano teve mais tempo: três minutos e seis segundos nos dois blocos diários, e mais 13 minutos e seis segundos diários nas inserções.

O que definiu essa vantagem no tempo de divulgação foi a regra que estabelece o espaço de cada candidato com base na representatividade da bancada de sua coligação na Câmara. Esse critério define 90% do tempo, com o restante dividido igualitariamente entre os partidos. A coligação "Acelera São Paulo", de Doria, foi formada por PSDB, DEM, PP, PPS, PV, PMB, PHS, PSL, PTdoB, PRP e PSB. Para efeito de comparação, a coligação Mais São Paulo, de Haddad (PT, PR, PDT, PCdoB e PROS), a segunda com mais tempo no horário eleitoral, tinha dois minutos e 35 segundos de bloco, com dez minutos e 54 segundos de inserção.

"Ele teve, em função da maior coligação [de partidos], o maior tempo de TV, e ele, por ser um candidato de muitas posses, foi automaticamente um candidato autofinanciado. Com essas ferramentas --TV e dinheiro--, ele pôde construir o discurso dele", analisa o jornalista Josias de Souza, blogueiro do UOL.

Para a cientista política Denilde Oliveira Holzhacker, contou o antipetismo para o salto de Doria nas pesquisas. "O discurso anti-PT foi muito forte, e o resultado [da votação] mostra que São Paulo é a polarização PT-PSDB. Desde 2002 a gente vê que isso se consolidou, e o resultado mostra que essa consolidação existe, mas ele ganhou também em cima do discurso anti-PT", diz Holzhacker. "É bom ressaltar que ele cresceu na campanha depois do horário eleitoral."

Doria usou os programas iniciais para se apresentar ao eleitorado, falando de sua trajetória como empresário e contando sua experiência em administração, colocando-se como o candidato "diferente".

O empresário dizia na campanha, em debates e entrevistas, ser favorável a aplicativos como o Uber, desde que "estejam regulamentados e paguem impostos", prometia promover campanhas de prevenção a acidentes e melhorar o sistema viário para pedestres e revisar a medida que reduziu velocidade de algumas vias em São Paulo, uma das bandeiras do petista Haddad. Ele prometeu também levar tecnologias como tablets, lousas digitais e internet wi-fi às escolas do sistema municipal.


Numa entrevista a emissoras de rádio, Doria prometeu doar todos os 48 salários de prefeito a instituições, caso fosse eleito. "Tenho dinheiro suficiente para viver o resto da minha vida sem trabalhar (...) Quero seguir o exemplo de Michael Bloomberg, ex-prefeito de Nova York [que recebia o salário de 1 dólar por ano]", disse. No dia seguinte, nova pesquisa e mais crescimento.

Fonte: Irineu Machado
Do UOL, em São Paulo
03/10/2016.